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Releitura moderna das clássicas histórias de paternidade

A princípio, O filho de Joseph (2016), dirigido por Eugène Green, aparentava ser apenas mais uma história de um garoto em busca do pai. Nas cenas iniciais, por exemplo, o personagem Vincent (Victor Ezenfis) depara-se com um café chamado Pai e Filho. Em diferentes momentos, também, o jovem interroga à mãe acerca de quem seria seu pai.

Mas o que o filme se propõe a fazer é explorar as diferentes possibilidades de paternidade. Temos a mãe de Vincent, Marie (Natacha Régnier), que assume sozinha a tarefa de criar o filho; o editor de livros Oscar (Mathieu Amalric), suposto pai biológico do garoto, que mantém uma relação distante com os outros filhos; e Joseph (Fabrizio Rongione), irmão de Oscar, que acolhe o jovem no momento mais inesperado.

A trama é, no fundo, uma releitura dos episódios bíblicos do sacrifício de Isaac, filho de Abraão –  ilustrado na pintura de Caravaggio, cuja reprodução está na parede do quarto de Vincent – e da história de José, que assumiu o filho de Maria.

Os personagens Vincent, Oscar e Joseph apresentam pontos de vista diferentes sobre a paternidade. Para Vincent, o pai seria fundamental para retirá-lo da fase “estranha” que vivia. Oscar recusava qualquer possibilidade de ser pai, apesar dos três filhos legítimos. Joseph, contudo, mesmo tendo sido deserdado pelo pai, assume o papel sem qualquer dificuldade. É graças a Joseph que Vincent, típico adolescente rebelde, de expressões agressivas, atitudes audaciosas e falas fortes, principalmente nos diálogos com a mãe, vai, aos poucos, se mostrando mais calmo e extrovertido.

Em diversos momentos, os personagens olham diretamente para a câmera, na tentativa de estabelecer uma maior aproximação com o espectador. Os diálogos são, na sua maioria, secos e curtos, e a interação entre os personagens é limitada, imprimindo um tom de distanciamento físico e emocional. A câmera, não raro, foca em espaços e objetos por longos segundos, com a ausência quase total de som. São essas estratégias de construção narrativa, justamente, que tornam Os filhos de Joseph um filme original em comparação com outros de mesma temática.

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