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Thriller político em velocidade máxima

Lee Jung-jae dirige e atua no thriller policial em que a política é o mote para cenas de perseguição

Ator coreano de ‘Round 6’ estreia na direção do frenético e irregular ‘Operação Hunt’

Lucas Oliveira

Se é verdade que um filme precisa conquistar o espectador nos primeiros minutos, “Operação Hunt”(“Heon-teu”, Coreia do Sul, 2022), de Lee Jung-jae (protagonista da popular série Round 6), acerta em cheio. O longa, que estreou no Festival de Cannes, se passa no início da década de 1980. A Coreia do Sul está sob a ditadura militar do comandante Chun Doo-hwan, que se estendeu de 1979 a 1987. Em meio a uma onda de protestos dentro e fora do país, dois chefes da Agência de Segurança Nacional (Lee Jung-jae e Jung Woo-sung, em atuações notáveis) investigam um ao outro à procura de um espião norte-coreano infiltrado.

Já no início, “Operação Hunt”mostra bem o tom que seguirá pelas próximas duas horas e que tem se tornado tradicional nos filmes de ação e suspense sul-coreanos. A audiência é imersa em uma intensa perseguição dentro de um prédio no centro de Washington, Estados Unidos, onde existe um complô para assassinar o presidente sul-coreano, prestes a chegar ao país. São tiros e mais tiros, e uma montagem frenética que está em total sintonia com a urgência que dá o tom da obra.

Embora muito bem executada, essa criação de um ambiente sempre em ponto de combustão a partir de cortes e movimentos de câmera rápidos às vezes depõe contra o filme. Algumas reviravoltas, por exemplo, não ficam suficientemente claras, porque não há tempo para processá-las. O mesmo ocorre com certos flashbacks. Por um lado, essa falta de explicações muito nítidas mostra que o cineasta, estreante na direção, não subestima o público. Por outro, complica em certos momentos a compreensão da narrativa, que parece ser o objetivo central do projeto.

Mas o que fica evidente é o forte interesse do realizador de mostrar quão brutal eram o regime sul-coreano e as interferências externas. De forma segura, o roteiro concilia a trama política de conspiração com o contexto histórico, apresentando às plateias do mundo um pouco do passado traumático do país.

Operação Hunt mostra um trabalho de muita competência dentro do que se propõe. O filme une habilidade técnica a uma história muito instigante, porém falha ao colocar demais o pé no acelerador. Sorte dele que, a esta altura, já fomos cooptados pela obra e testemunhamos, sem respirar, a caçada pelo espião que, no final, é o menor dos problemas.

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